Apreensões de canetas emagrecedoras piratas dispararam. O Pará, incluindo cidades como Castanhal, Belém e Santarém, entrou na rota do contrabando, expondo a população a graves riscos à saúde.

Por Redação | Mais Castanhal

A promessa de emagrecimento rápido aliada ao preço elevado dos tratamentos regulares abriu espaço para um mercado clandestino de medicamentos injetáveis que já atinge fortemente o Pará. Canetas falsificadas, produtos contrabandeados e substâncias manipuladas sem controle sanitário estão sendo oferecidos nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, geralmente por valores bem inferiores aos das farmácias.

Embora a semaglutida — princípio ativo de medicamentos famosos como Ozempic e Wegovy — seja o maior símbolo desse mercado negro, as apreensões também envolvem tirzepatida, liraglutida e até retatrutida, uma substância experimental ainda sem registro para comercialização no Brasil.

Um levantamento recente, baseado em dados da Receita Federal e da Polícia Federal, apontou que mais de 115 mil canetas, ampolas e frascos de emagrecedores vindos do Paraguai foram apreendidos em 2026. Para se ter uma ideia da explosão desse mercado, entre maio e dezembro de 2025, foram recolhidas cerca de 7,5 mil unidades, o que representa um aumento superior a 1.400%.

Pará na rota do contrabando de emagrecedores

O Estado do Pará se tornou um ponto estratégico para os contrabandistas. No dia 1º de setembro, a Polícia Federal prendeu duas pessoas no Aeroporto Maestro Wilson Fonseca, em Santarém, após encontrar 65 frascos de medicamentos emagrecedores, canetas de aplicação e seringas escondidos nas bagagens de um voo vindo de Brasília.

Em agosto, uma passageira foi presa no Aeroporto do Galeão (RJ) transportando canetas emagrecedoras importadas ilegalmente de Foz do Iguaçu (PR); o destino final da carga era Belém.

Castanhal também está no mapa das apreensões: em abril deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou 50 canetas de tirzepatida sem documentação na BR-316. A encomenda havia sido despachada na capital paraense e seguia para Imperatriz (MA).

O estado também foi alvo da Operação Heavy Pen, deflagrada pela PF e pela Anvisa. A ação, que desarticulou laboratórios capazes de produzir mais de 1 milhão de dispositivos falsos no Brasil, encontrou medicamentos irregulares em um consultório odontológico dentro de uma academia no Pará e fechou três clínicas em Belém.

Riscos à saúde: O perigo do "Ozempic Falso"

O medicamento falsificado tem composição, embalagem ou origem adulterada. O grande perigo é a injeção de substâncias desconhecidas. Em 2024, a Anvisa chegou a investigar embalagens de insulina que receberam rótulos de um lote verdadeiro de Ozempic. A aplicação acidental de insulina pode provocar hipoglicemia grave, convulsões, coma e até a morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já emitiu alertas sobre lotes clandestinos que não contêm o princípio ativo ou estão contaminados. Além disso, mesmo os medicamentos autênticos exigem acompanhamento médico, pois podem causar reações severas, como pancreatite aguda.

Mudanças nas regras e proteção ao consumidor

Desde junho de 2025, a venda de medicamentos agonistas de GLP-1 exige receita médica em duas vias (com retenção na farmácia, válida por 90 dias). Qualquer oferta de Ozempic ou Mounjaro sem exigência de receita é um sinal imediato de crime.

Apesar de a patente da semaglutida ter expirado em março de 2026 — o que permite a entrada de concorrentes legais no mercado —, a fabricação exige rigorosa comprovação de segurança e registro na Anvisa.

Como se proteger de fraudes:

Local de compra: Compre exclusivamente em farmácias regularizadas. O produto deve estar na caixa original, lacrada, e acompanhado de nota fiscal.

Evite a internet: Não compre em redes sociais, grupos de mensagens, academias ou de vendedores particulares. Desconfie de "promoções imperdíveis".

Verifique a embalagem: Confira fabricante, lote, validade e o registro no sistema de consultas da Anvisa. Não aceite produtos fracionados, com rótulo borrado ou lacre violado.

Em caso de reações: Procure a emergência imediatamente.

No Pará, o Centro de Informações Toxicológicas de Belém atende pelos números 0800 722 6001 e (91) 3249-6370. Suspeitas de falsificação devem ser denunciadas à Anvisa e à Polícia.