Subtítulo / Lead: Levantamento da FIEPA aponta alta de 23,9% nas contratações do setor industrial na Grande Belém durante o período festivo. Em Castanhal, a Companhia Têxtil completa 60 anos produzindo o maior símbolo de fé da procissão.

Por Alechandre Viana | Mais Castanhal

Enquanto as ruas se enchem de emoção e devoção à Nossa Senhora de Nazaré, uma parte fundamental dessa história é construída longe dos olhos do público: nas fábricas, oficinas e unidades de produção do Pará. Todos os anos, o setor produtivo se mobiliza para viabilizar a maior manifestação religiosa do Brasil, transformando trabalho e matéria-prima em fé, tradição e desenvolvimento econômico.

Antes de chegar às mãos dos promesseiros ou às mesas do tradicional almoço em família, os produtos passam por um longo planejamento. Perfumes, velas aromáticas, alimentos, bebidas, vestuário, materiais gráficos e a própria corda do Círio carregam a assinatura da indústria paraense.

Impacto Econômico: Alta de 23,9% na Geração de Empregos

O impacto do Círio reverte diretamente em oportunidades de trabalho. Conforme levantamento do Observatório da Indústria da FIEPA (Federação das Indústrias do Estado do Pará), entre agosto e outubro, a indústria de transformação da Região Metropolitana de Belém registra, em média, 1.571 contratações com carteira assinada por mês (dados de 2022 a 2025).

Nos demais meses do ano, a média é de 1.268 admissões mensais. Esse salto representa um aumento de 23,9% nas contratações temporárias e efetivas no período nazareno, alavancado principalmente pelos setores de alimentos, conservas, sucos e bebidas.

Para Alex Dias Carvalho, presidente da FIEPA, o engajamento do setor vai além dos números:

"O Círio mostra a força e a diversidade da indústria paraense. Quando o setor participa dessa manifestação, não está apenas movimentando a economia, gerando emprego e renda. Ajuda também a preservar e valorizar nossa cultura e tradições. É desenvolvimento que reconhece o território e sua história", destaca Alex Carvalho.

Orgulho de Castanhal: A Corda da Fé e os 60 Anos da CTC

Um dos momentos mais marcantes da conexão entre fé e produção industrial ocorre em Castanhal. No ano em que a Companhia Têxtil de Castanhal (CTC) celebra 60 anos de fundação, a empresa assina, pelo quarto ano consecutivo, a fabricação da corda oficial do Círio de Nazaré.

Desde 2023, o símbolo máximo da promessa dos fiéis é produzido 100% no Pará, utilizando fibras naturais da Amazônia e mão de obra local.

Flávio Smith, presidente da CTC e do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Pará (SINDITEC), ressalta o valor emocional da produção:

"Participar do Círio, levando às ruas um dos maiores símbolos dessa manifestação de fé, tem um significado muito especial para nós. É uma forma de agradecer ao Pará e retribuir, com o nosso trabalho, um pouco de tudo o que construímos juntos ao longo dessas seis décadas."

Aromas, Moda e Logística: A Cadeia Completa do Círio

A força da festividade também se estende a outros segmentos estratégicos:

Indústria Química e de Perfumaria: Segundo Fátima Chamma, diretora da FIEPA e vice-presidente do Sinquifarma, o movimento do Círio supera o Natal em vendas para alguns segmentos. Linhas exclusivas, como a Flor de Maria, foram criadas para o período e se consolidaram no mercado.

Vestuário e Confecção: A corrida por camisas e uniformes personalizados começa meses antes. Empresários como Priscilla Vieira, diretora da FIEPA, e a equipe da MLX Uniformes reforçam que a demanda antecipada movimenta fornecedores de tecidos, bordados, estamparia e costura em todo o Estado.

Alimentos, Bebidas e Gráfica: A agroindústria garante os insumos do almoço de domingo, enquanto o setor gráfico produz os materiais informativos e institucionais que vestem a cidade.

Da fabricação da corda que une milhares de promesseiros à mesa fartamente posta em família, a indústria paraense demonstra sua capacidade de unir inovação, identidade cultural e desenvolvimento econômico para construir, nos bastidores, a magia do Círio de Nazaré.